Sobre minha mãe...

 

Hoje é onze de fevereiro de 2021.

Em meio a uma pandemia que mudou a face do mundo.
Ainda não vivemos a realidade de 2001 – Uma odisseia no espaço, mas estamos perto, muito perto.
Fico pensando na cadeia de acontecimentos que nos trouxe até aqui e é impossível não ser grata por viver e poder comemorar, tantas e tantas vezes, a felicidade que aprendemos a encontrar na certeza do bem estar dos amores.
Eu, que sou uma pessoa de fé, agradeço a Deus.
Por minha vida que veio da vida de minha mãe, que hoje comemora a sua própria vida.
Sem ela eu não estaria aqui e mesmo que eu tivesse encontrado alguma boa alma para me gerar eu não seria eu.
Há muito dela em mim.
As coisas boas, principalmente.
As frases comezinhas.
- Deixa que eu faço!
- Vai dar certo!
- `Vamos ver o lado positivo!
- Eu te amo!
A herança de fé, o amor à família, à dedicação ao que se faz, o exercício da paciência.
Mas, além desses valores que partilhamos, há em minha mãe uma exclusividade plena, uma singularidade admirável, uma beleza iluminada, inata e que não depende de Pradas, diamantes ou Dior. O jeans e a camiseta básica, nela, vestem uma dama.
Os olhos, que acostumei ver maquiados, são bonitos porque sabem sorrir ainda que diante da dor. São olhos que sabem valorizar as poucas lágrimas que deixa cair. Enquanto eu ainda choro vendo Branca de Neve como da primeira vez em que ela me levou ao cinema.
Com certeza, eu não seria eu sem ela, mulher elegante que me apresentou a etiqueta, o cinema, o valor de um bom café, como andar de salto, como combinar as roupas, organizar armários, respeitar os mais velhos, como deixar a matemática menos abstrata, ao fazer contas com os lápis de cor, do estojo de trinta e seis cores, da Faber Castell.
Nem quero pensar no que eu seria sem sua herança de olhar corretor de desalinhos, sem suas súplicas orações por todos nós, sem seu exemplo de simplicidade e elegância, sem seu cheiro de colo.
A pandemia me roubou seus abraços amiúdes, nossos passeios sozinhas, nossas conversas enquanto o pai olha o jogo. A pandemia roubou a partilha do tricô, as canastras e a experiência de novas receitas no fogão do Recanto das Pedras.
Mas a pandemia não roubou o amor.
Ele se fortalece à distância, onde o tempo apaga as inconformidades das almas que nascem família para o exercício pleno de amar.
E é, também por isso, que há tanto para agradecer.
Obrigada Deus, por minha mãe!
Obrigada minha mãe, por existir e deixar que eu seja tua filha!
Recebe de olhos fechados em teus braços acolhedores o abraço da tua Bárbara que te ama.
Em breve nos encontraremos.
Feliz aniversário!!!

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