Carta de aniversário para Artur
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21.04.2021
Filho,
Há músicas que a gente ouve e parece que foram escritas pensando em nós. Tu já não tiveste essa sensação? Quando eu era adolescente parecia que todas as bandas da época escreviam para mim. Era bom esse sentimento de saber que existe alguém que sente o que você sente e do jeito que você sente. Mas o tempo passou e as músicas começaram a mandar outras mensagens além da empatia. Comecei a ouvir notas que cantavam para teu irmão e para ti. O inusitado é sentir que o Marcelo Campelo e tantos outros roubavam as palavras que eu não sabia que eram minhas, como nessa letra.
“De onde vem a calma daquele cara?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente?
Ele não sabe ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
E às vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo é hostil”
O mundo é mesmo muito hostil e eu queria deixar meu bebê no ninho, proteger-te de todos os perigos, mas o certo é soltar-te no mundo, preparar-te para a guerra de ser autêntico e então encouraçar tua armadura e abençoar tua partida por entre meus dedos, ainda que sentindo a dor dos braços vazios.
“De onde vem o jeito tão sem defeito
Que esse rapaz consegue fingir?
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão”
Eu não te digo as duas últimas frases que se repetem. Só são desejos que eu não ouso sussurrar. Eu que lute para fazer valer o estoicismo abraçado. Tu sabes que o mundo é teu e que existe um lar e um colo sempre aqui, mas eu te dei um feriado de presente, um feriado para lembrar a importância da liberdade de pensamento, a liberdade do ser e nossa responsabilidade com nossos valores, então abençoo tua jornada.
“Eu não vou mudar, não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final, assim, calado, eu sei
Que vou ser coroado rei de mim”
Não cede não, filho, Deus está contigo.
O x da equação das crianças incrédulas sempre esteve a teu favor e se a tempestade é forte não tema.
“...estes são dias desleais
Mas sou metal, raio, relâmpago e trovão.
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.”
O Renato Russo ainda me descreve. Então não temas.
Por ti eu sou a própria tempestade e os dragões me sabem.
És o rei de ti mesmo, sempre serás.
Feliz aniversário!
Com amor,
Tua mãe.
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